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Ponto Seguido - Orlando Lizama

26/09/2020




Ponto seguido

Por Orlando Lizama*
Há alguns dias, um amigo aparentemente para me agradar, afirmou que os correspondentes estrangeiros são os mais experientes em escrever de forma clara e concisa. Ele me perguntou como fizemos isso.

Com um tom doutoral, expliquei que os jornalistas, principalmente os de agências de notícias, somos muito incultos. 

Sabemos pouco sobre filosofia, política, músicos clássicos ou pintores. Nossos gostos são bastante prosaicos. Não lemos muito sobre os grandes escritores. Talvez algum pequeno romance, com um toque pornográfico, para o fim de semana.

Como não os conhecemos, não falamos com metáforas, alegorias ou coisas que se assemelhem a elas. Procuramos parafrasear o mínimo possível às palavras de um ator no noticiário (porque às vezes não entendemos bem o que significam) e recorremos às citações literais (entre aspas) para evitar toda responsabilidade e não nos metermos em apuros. Nunca ponto de suspense.

Já que somos bestas, vamos direto ao ponto. Escrevemos de forma curta e clara. Não usamos localismos. Nosso material deve ser lido por todo o mundo de língua espanhola (N.R.  Ou língua portugues, inglesa, italiana, francesa, alemã ou otras) . Que ninguém pergunte o que isso significa?. Você pensa em uma ideia e a anota. Mais um detalhe? Você o adiciona.

No parágrafo anterior é precisamente o que eu afirmo: muitos pontos se seguem. Com parágrafos de no máximo cinco linhas, você puxa o fio da madeixa de sua história (assim se chama isto que acabei de escrever?).

Ele olhou para mim com olhos incrédulos e perguntou ... mas como você consegue essas frases curtas?

Aí acabou a sabedoria e eu não soube o que dizer. Tive de recorrer à minha experiência como repórter de uma agência de notícias britânica que aprendeu o ofício quando não havia satélites, nem internet, nem novas tecnologias.

Aqueles eram os dias em que as notícias eram enviadas a Londres por telegrama e deviam ser pagas por palavra. Isso significava que, por ordem do editor-chefe, você tinha que ser muito breve e muito claro.

Com meu inglês com vocabulário insuficiente, escrevi algo assim: "Mineiros de Chuquicamata aprovaram greve, disse fonte oficial. stop. paralisação para começar segunda-feira. stop. empresa anunciou nova oferta para próxima semana"

A notícia voltou em oito parágrafos que traziam a história das negociações, a relevância de Chuqucamata, a importância do evento para o mercado de metal londrino, blá blá blá ...

Meu interlocutor pareceu entender minhas explicações e como não era mais necessário continuar me detendo no assunto, encerrei a palestra ... ponto final.

* Orlando Lizama: jornalista e escritor
** Mina de Chuquicamata, uma das maiores do mundo, fica no Chile
 Imagem Chuquicamata da própria mina


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