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O ônibus - Marta San Juan

20/10/2020




O ônibus

Por Marta San Juan *

Ele estava no banco da frente do ônibus a três horas do destino. Ela no banco atrás com as amigas, feliz, rindo ... de repente ele aparece olhando para ela ...

"Oi, como vai ... Estou visitando seu país, trabalhando", disse. Eles se apresentaram, todos, felizes, jovens.

Ela e ele olham um para o outro ... tiram os óculos escuros. Os olhos se encontram ... Foi fulminante. Como se um raio os acertasse diretamente no coração ... Todas as vozes saíram ao seu redor, parecia que eles estavam sozinhos ... ninguém mais existia ... era ela e ele com seus olhos castanhos.

Começou um longo caminho, muita adrenalina, confuso, louco mas lindo, cartas para ler nas entrelinhas, um toque de mãos, olhares cúmplices. Eles dançaram abraçados no primeiro encontro, palavras doces no ouvido.

Ele disse algo que ela nunca esqueceu. Ela não conseguiu acreditar no que ele disse: "Quero ter um filho com você." Ela ficou sem palavras. Era muito forte, tinha tanta coisa pra resolver antes ...

Ela era casada ... ele tinha uma parceira ... e o amor começou a crescer ... a crescer de uma forma que até doeu. Foi um amor impossível. Eles não queriam enganar ninguém. Eles lutaram contra o amor, era difícil.

Passou um ano ... outro meio ano. Ela disse "chega", se separou. Ele também.

Eles se encontraram atravessando o largo rio. Eles se abraçaram, beijaram, compartilharam alguns dias juntos, felizes. Não podiam acreditar que estavam quase livres. As cartas eram frequentes, lindas cartas de amor, cheias de paixão e planos ... quantos sonhos. 

Mas o destino tem seus próprios planos. Em pouco tempo, ele partiria para outros países distantes por motivos de sua profissão. 

Ela e ele se encontraram no hotel onde ele estava ... Abraços, lágrimas, choravam juntos ... se acariciavam, conversavam, às vezes sorriam, sabiam que não iam se ver por muito tempo ... talvez nunca mais.

Eles se beijaram mil vezes. Se despediram. Ela saiu chorando amargamente. Também feliz por terem estado juntos.

Ele escreveu um poema. Ele não sabia de rimas, não era poeta. Ela leu o poema várias vezes.

A manhã parecia sonolenta 
Preguiçosa no cais.
Entre as nuvens o sol beijou seus cabelos
Mas você não olhou para nada disso
Você só queria ver o que escondiam
 meus olhos molhados.
Muitas pessoas escuras nos cercavam
A você próxima à grade do navio
A mim no sólida doca.
Eu sei que você lembra
Três dias quando compartilhamos tudo
A comida, a brisa, a paixão, a vida
Mas chegou a hora de partir
Você se foi.
Acho que você ouviu a sirene
Eu escutei o desejo que você voltasse logo
Para compartilhar a lua, a cama, o vinho.
Como se evitasse ferir o rio
Lentamente o navio partiu
Levantei minha mão e fiquei vazio.

...Ela guardou aquele poema por muitos anos. Foi a prova material que não foi um sonho. As lágrimas de despedida deram espaço às lembranças ... Décadas se passaram. Eles nunca mais se encontraram. Ou talvez suas almas nunca se separaram, unidas pela emoção entre aquela viagem de ônibus e os cais do porto.

* Marta San Juan -  Professora e artista
Crédito Pintura - Corwalls



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