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Posso te contar uma historia? - Henrique Fruet

04/02/2021




Posso te contar uma história?

Por Henrique Fruet **

 - Posso te contar uma história?

O brilho nos olhos e o sorriso que fazia balançar os fartos bigodes brancos não davam chance para o interlocutor dizer não. Ainda bem, pois sempre vinha coisa boa. Muito boa.

O meu amigo Paulo Pimentel sempre tinha uma excelente história para contar. Era um colecionador de causos nato.
E só tinha esse dom porque:
Primeiro, revolucionou o mercado de leilões pecuários.
Não satisfeito, depois revolucionou o golfe brasileiro.

Como assessor de imprensa, trabalhei na divulgação de dezenas de torneios que a Golf&Cia organizou para empresas como BMW, LG, Vivo, IBM, Audi, Hospital Alemão Oswaldo Cruz, Pfizer, Santander, TAM Viagens, Revista Caras, HSBC, etc, etc, etc (e põe etc aí).  Além de ter trabalhado com ele, joguei MUITOS torneios que ele organizou, e acompanhei de perto a revolução que ele fez no golfe brasileiro. 

Paulo não inventou o conceito de buraco 19 no golfe (para quem não sabe, é como chamamos a mesa do bar, onde  adivinha? contamos histórias depois do jogo de 18 buracos). Mas certamente ele reinventou o buraco 19 no Brasil.  

Seus torneios eram pensados milimetricamente para que os participantes (geralmente empresários) pudessem confraternizar depois do jogo. Shows de rock, apresentação de dança do ventre, performance de mágicos e até distribuição de amostras grátis de Viagra (entregues por um médico golfista, claro) davam um brilho especial aos torneios que organizava. 

Outros organizadores de torneios (que o respeitavam imensamente) seguiram a mesma linha, mas não tinham algo que só a Golfe&Cia tinha: as histórias do Paulo. Ele sempre se sentava conosco para beber, dar risada e conversar, e já vi, ali mesmo, no buraco 19, ele fechar patrocínios para eventos futuros, entre uma risada e outra, entre uma história e outra. 

Em duas décadas de amizades, ouvi muitas histórias contadas pelo Paulo. Às vezes eu estava puto da vida quando ouvia o famoso "Deixa eu te contar uma história", pois eu estava já ansioso aguardando o meu carona terminar a(s) cervejinha(s) dele para retornar para cada depois de um torneio, e sempre vinha mais um causo...

Mas o Paulo era foda. Era só começar a contar, qualquer que fosse a história, que eu também já me esquecia do horário, e embarcava com ele nessa jornada por suas memórias.

Era difícil discutir com o Paulo. Ele era bem teimoso (e creio que eu também, kkk). Sua cabeça dura só perdia para o seu coração, que era gigantesco.

Infelizmente, não vou ouvir o Paulo contar a história de como derrotou a Covid-19, pois a doença levou o meu amigo ontem à noite, após 78 dias de luta e 72 dias de internação, e três dias antes de completar 79 anos.
Fica a saudade, e sobram excelentes memórias!
Meus sentimentos à família: Marinês, Bete, Dudu, Paulinho e Cris, muita força!

Mas como esse é um texto para falar mais de vida do que de morte, proponho que façam o mesmo: compartilhem histórias do Paulo, e façamos muitos brindes ao nosso amigo!

** Henrique Fruet: jornalista e golfista
Foto Paulo Pimentel de Levi Gregorio


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