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As grossas cortinas do 414 - Guillermo Piernes

18/07/2021 00:00




­As grossas cortinas do quarto 414

Por Guillermo Piernes
 
Wilhem não conhecia a filha de Helen, já com 20 anos, e que nasceu dois anos depois que ela o deixasse e se unisse a um jovem advogado para viver a etapa da casinha, o maridinho, os filinhos.

Ele não quis repetir a experiencia porque tinha comprovado no seu primeiro casamento que filhos dão sentido a existencia porem são incompatíveis com a paixão de um casal. Ele não queria abrir mão sequer de um pouco da maior paixão que conheceu. Tudo ou nada. Ficou o nada. Ou apenas um monte de imagens, uma saudade que apertava o peito, a pele inconformada por não sentir a eletricidade insana que a dela transmitia.

Wilhem dava a vida para ficar sempre embriagado de paixão, louco de paixão.Também sabia que tinha arrancado um pedaço do seu coração quando Helen partiu para seguir seu instinto ou a conduta moldada pela sociedad. Ele se manteve na defesa da paixão, sem ceder um palmo. 

Wanda é o seu nome. Ela ligou para o celular do Wilhem. Avisou que queria lhe encontrar com urgência e deixou um número. Passaram sete dias e a jovem recebeu a ligação marcando encontro para dois dias depois no lobby de um grande hotel de São Paulo, último cenário da sua conferencia sobre ideologias políticas.

-- Como vou reconhece-la, perguntou. -- Sou muito, muito parecida fisicamente com a minha mãe, ela disse.

Quando ele chegou a jovem já estava sentada numa ampla poltrona perto dos elevadores. Uma miragem, foi o primeiro pensamento que passou pela sua cabeça. Não deu tempo para mais reflexões. "A minha mãe me disse que o senhor não gosta de ser visto em lugares públicos quando trata de assuntos pessoais. Por isso entrei no hotel ontem à noite. Meu quarto é o 414. Subo logo e o senhor em dois minutos", determinou.  

Willhem olhou em volta e viu apenas dois modorrentos seguranças do hotel mais distraídos em seguir os passos da camareira que arrumava as plantas da entrada do que prestar atenção nas 15 pessoas que estavam no lobby.

Aos dois minutos combinados e já recomposto ele entrou no elevador e apertou os botões do quarto, sexto e sétimo andares. "Todo cuidado é pouco", repetiu em voz alta um dos seus axiomas. 

No primeiro toque na porta Wanda abriu. Tinha tirado o blazer, soltado o cabelo. Era como se o tempo houvesse detido a sua marcha e Helen tivesse chegado ao primeiro e inesquecível encontro. Wanda com a mesma idade que tinha a mãe quando se encontraram e se apaixonaram uma cálida noite sob o céu de Goiás,

Os mesmos olhos azuis e inquietos. A mesma figura com iguais pernas bem torneadas. Seus lábios eram mais carnudos e os cabelos tinham um tom mais escuro e algo mais ondulados. Num túnel do tempo poderiam ter declaradas irmãs gêmeas univitelinas.

Uma garrafa de vinho tinto encorpado e seco estava aberta. "Sei mais do senhor, desculpe você, do que a maioria das pessoas que conheceu a sua vida. Minha mãe contou a sua história de amor mil vezes e os seus sonhos e fantasias", agregou com um sorriso.

Ela perguntou muitas coisas sobre a sua mãe. Algumas sobre ele. O que podia ser respondido com total sinceridade foi feito. As outras apenas recebiam um sinal negativo com a cabeça.

A garrafa ficou vazia junto a intocada bandeja de canapés. "Você é incansável. Não vai parar de perguntar", ele interrogou olhando essa jovem mulher inteligente, sensível e bela.

"Não. Por que preciso entender a razão pela qual que vocês na seguiram juntos. Era uma relação maravilhosa. Tudo dava certo na rua, na mesa, na cama", disse.

-- Minha mãe foi covarde...

-- Não, apenas imatura...

-- Eu nunca teria deixado o homem da minha vida, que passou a integrar também a essência do meu ser. ...Um homem tão apaixonado, educado, experiente, que libera, que busca chegar aos últimos degraus do prazer, que convida a voar, aproveitar cada instante....

-- Não é bem assim...

-- Teria gostado muito de você ter sido o meu pai...Eu admiro você...Diria que você e minha fantasia masculina. Por outro lado que bom que você não é meu pai...Que bom...que bom...

Wanda não esperou a resposta. O beijou, segurando a sua cabeça, mantendo os lábios colados enquanto a língua entrava na boca entreaberta de um Willhem paralisado, atônito. Wanda abriu a blusa ofereceu seus peitos brancos de bicos rosados, que para os olhos dele pareciam ser aqueles seios, com o mesmo perfume e suavidade eletrizante que o fizeram mergulhar no desenfreio, o mesmo desenfreio.

Foi um sexo selvagem, total, completo.

Ela teve vários orgasmos e ficou atenta para o momento do gozo dele. Quando ele ficou ofegante e com as mandíbulas sem movimento, saiu de cima dele para receber a carga do prazer na sua boca, na sua garganta. O gemido entrecortado de Willhelm ficou abafado pelas grossas cortinas do quarto 414.

** Guillermo Piernes: jornalista, escritor, palestrante
Pintura: Casal Apaixonado - Ali Express




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