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Sobre os escritores - Carlos Acurso

11/07/2020




Sobre os escritores

Por Carlos Acurso **

Um escritor é alguém capaz de conter seus impulsos, sonhos, desejos, fantasias até poder dar-lhes uma forma decente através de um estilo.

Podemos dizer que a diferença entre um escritor e alguém que não escreve é a mesma diferença que existe entre um sátiro - esse ser da mitologia grega metade home e metade animal - e um cavalheiro, é a paciência.

Mas, obviamente, o homem é um manipulador de ferramentas, um ser capaz de representar a realidade e até transformá-la através de instrumentos criados por ele.

Esses instrumentos são sempre extensões de alguma capacidade humana. A roda do pé, o grampo de nossos dedos, o guindaste da mão, o telescópio do olho. Parece que o homem é capaz apenas de imaginar instrumentos que executam ações tipicamente humanas com algumas diferenças.

Quais diferenças. Cada ferramenta é mais poderosa que a qualidade humana que imita ou amplia. A roda é mais rápida que o pé, o guindaste levanta pesos mais alto que o braço, o telescópio vê mais do que o olho. Sempre criamos ferramentas mais poderosas, mas menos sutis, do que nossas próprias habilidades. Ainda não projetamos mãos que tocam pianos como os humanos, nem olhos que se adaptam ao ambiente como os nossos.

Porém, com essas ferramentas, modificamos o mundo, transformamos a materialidade que nos cerca e até, através dos implantes, nosso interior físico.

Aqui está uma pergunta: Que capacidade humana o computador imita, com mais poder e menos sutileza? Algum dia, depois de passar da página, para o disquete, para o CD, para a Web, haverá um salto qualitativo que altere o conteúdo, além do suporte a ideias?

O amor, o riso, a felicidade, a angústia, o medo ou a fé são diferentes? A maneira de expressá-lo mudou ou mudará?

Dizer sim pode gerar um grande número de inimigos. Dizer não é como dizer que a literatura é um trabalho acabado e, portanto, morto. O homem é então incapaz de mudar, de crescer, de recuar para viver? 

Mas as coisas importantes. Os valores máximos não são deixados ao vento que qualquer mudança pode destruir? É isso que transcende e, portanto, conduz, guia, mantém, governa as espécies e até o tudo. E o que é o que vive? Em outras palavras, muda, nasce, cresce, amadurece, envelhece, morre.

O que é permanente e o que é momentâneo. Quais verdades são absolutas e quais são relativas no espaço e no tempo.

Vamos pensar, não vamos votar alegremente em uma ou outra posição, vamos nos deliciar com nossa capacidade de sonhar.

(Fragmento da Conferência proferida por Acurso na Associação Argentina de Escritores, quando foi premiado como Prêmio Orientador em Educação Científica).
** Carlos Acurso. Filósofo, cientifico y educador.
Crédito da imagem: Escritor no seu escritório - Gustave Caillebotte


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