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A dor da gente não sai no jornal - Márcio Pinheiro

22/09/2021 00:00




­A dor da gente não sai no jornal

Por Márcio Pinheiro **
 
Sempre me causou estranheza o fato de a imprensa raramente falar sobre jornalismo. Quase todos assuntos são contemplados - dos mais relevantes aos mais fúteis, dos que merecem um tratamento profundo aos mais apressados - porém quase nunca o que acontece nas redações é tema de interesse público. 

Confesso não saber onde esta decisão esbarra: se numa ordem não escrita (tampouco assumida) por parte dos patrões ou se na eterna mania do jornalista de se autodesmerecer, um complexo de vira-lata que faz com que o profissional não se ache digno de virar pauta - arriscando um palpite acredito ser uma combinação não assumida das duas hipóteses.
Também sempre achei que seria melhor para todos - jornalistas e leitores - se o que acontece no ambiente das redações fosse mais conhecido.

Recentemente ocorreram demissões em massa (os famosos "passaralhos") - e também em conta-gotas - que afetaram a vida de centenas de pessoas (algumas nem ligadas ao jornalismo) mas que sequer mereceram uma linha nos respectivos jornais. Há ainda o caso mais curioso de colunistas, comentaristas - ou seja, estrelas da profissão e das empresas - que de uma hora para outra somem das páginas sem a necessária explicação.

A bibliografia sobre o tema também é escassa. Fugindo dos relatos acadêmicos raros são os livros que se ocupam da vida nas redações e daqueles personagens estranhos que são os jornalistas. O mais amplo talvez seja "Notícias do Planalto", de Mario Sergio Conti, ainda assim incompleto (apesar das quase 700 páginas) e marcado por opiniões extremamente pessoais e pequenas (e grandes) vinganças por parte do autor. E é por ter esse interesse pelo que acontece nas entranhas da profissão que escolhi há mais de três décadas que gostei de ler "Treze Meses Dentro da TV", de Adriano Silva.

Apesar de ser da mesma cidade, da mesma profissão, da mesma geração, do mesmo time e - conforme descobri depois - até ter sido vizinho por uns tempos, não conheço Adriano pessoalmente. Mas a necessidade que ele teve de contar sobre suas experiências em redações do Rio e de SP (experiência pelas quais em diferentes níveis, épocas e empresas também passei) fez com que eu me identificasse em muitos pontos com seu relato. Adriano fala de nomes conhecidos (Bial, Bonner, Zeca...), poderosos (toda cúpula do jornalismo global) e desconhecidos do grande público (embora muitos sejam nomeados) e tenta entender um fenômeno coletivo que atinge jornalistas e leitores. 

Partindo de sua experiência - o "fracasso" depois de 13 meses à frente de uma das chefias do Fantástico -, Adriano conseguiu driblar o ressentimento e a autocomiseração (sua definição de "veni, vidi, perdidi" me pareceu adequada) e revelou um recorte fiel de como é viver nessa selva. 

Uma vida com paixões e discussões, com conquistas e derrotas (pessoais e profissionais), com grandes gestos mas também com o que há de mais mesquinho no ser humano. Ou seja, com todos ingredientes que fazem parte de uma grande reportagem e que mostram como jornalistas às vezes também podem ser notícia.

** Márcio Pinheiro:Jornalista, escritor. promotor cultura. Diretor do site Amajazz*
Crédito imagem Vendedor de Jornais - Ded MazzaiDreamstime.com



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