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Epitáfio (Poema) - José Fonseca Filho

03/05/2022 00:00




Epitáfios

de José Fonseca Filho 
O magro
Esperando um bom presunto
E só vendo osso descer
Os vermes gritaram em conjunto:
- Não recomendo comer
O pequeno

Era tão pequenino o defunto
Que quando baixaram o caixão
Os vermes saíram por baixo:
"Não vamos comer anão"

O bêbado

Rapazinho que bebe tanto
Leite ou água não consome
Se ferrou no exagero
Pois bebe mais do que come

O gordo
Aqui jaz, em separado
Quem deu sempre um trabalhão
Pois seu corpo avantajado
Precisou de outro caixão

O político

O defunto era gordinho
Os vermes chegaram ligeiro
Correram para a cueca
E comeram todo o dinheiro

O atleta
Halterofilista de porte
Com muito peso na mão
Os verminhos fracotes
Foram esmagados no chão
O agrônomo
Saudoso da natureza
Que estudava como cão
Lhe restou catar os vermes
E plantá-los pelo chão

O religioso
Com a batina mais bonita
Foi colocado no caixão
Mas com um tecido tão duro
Os vermes quiseram não

O sambista
O defunto tanto dançava
Que balançava o caixão
Os verminhos desnorteados
Caíram todos no chão

O fantasma
Os vermes se assustaram
E ainda estão a correr
Procurando um bom lugar
Onde possam se esconder

O amor
Este vem com toda pompa
Os verminhosnão vão comer
E sabem para onde ir
Pois já encheram a pança
Para que mais insistir?
Pois o amor nunca morre
E nem deixa de existir

José Fonseca Filho:  jornalista e pré-poeta
Imagem - Pintura no tumultual de Nefartari - Arte Egipcia


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