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Racing: A equipe de José - Guillermo Piernes

13/07/2020




O time de José

Por Guillermo Piernes **
Ao excelente técnico Juan Jose Pizzuti devo muito da minha boa carreira no jornalismo. Conto à história que acho útil para os amantes do futebol e para aqueles que acreditam no destino.

Em 1966, eu estava dando meus primeiros passos no jornalismo como repórter de futebol de Clarin - que vendia um milhão de cópias às segundas-feiras na época com seu suplemento esportivo.

Na primeira rodada do campeonato, fui indicado para a partida Racing-Estudiantes. Eu tinha de acompanhar Diego Lucero, uma das melhores penas do jornalismo esportivo do Rio da Prata. Ele escreveria uma longa crônica do jogo e eu tinha 30 linhas para coletar a opinião de técnicos e jogadores no vestiário.

No seu campo em Avellaneda, Racing venceu Estudiantes. Foi um 2 a 0 que poderia ter sido muito mais. Era outro futebol do que então era praticado. Todos atacavam. Para defender ficavam o zagueiro Perfumo e o goleiro Cejas (que foram meus amigos e mais tarde jogaram no Cruzeiro e Santos). Dois veteranos Maschio e Pentrelli no meio-campo e o restante perto da área rival, Cardenas, padeiro Diaz, Basile.

Todos subiam. Os ponteiros eram na realidade quatro porque os laterais sempre subiam. Ao chegar na linha de fundo ou perto dela partia o lançamento para a área. Chegavam vários. Assim o tempo todo. Emoção e sede de gol sem trégua.

Desobedeci a orientação e não fui ao vestiário. Nesse espaço de 30 linhas sob a manchete A equipe de José descrevi o jogo de um time diferente a todos os outros dessa época, que buscava  o gol sem parar, cada minuto. O brilhante editor Nestor Michi Ruiz, que fechava as páginas, não acreditava que eu não tivesse as declarações do vestiário. Custou acreditar que eu tinha usado o espaço para comentar que havia nascido uma equipe quase invencível.

Quantos anos eu tinha de jogar e assistir futebol, ele me perguntou, mas publicou a nota.

No dia seguinte, o Dr. Cruz, gerente de circulação de Clarín, foi a seção de Esportes e perguntou em voz alta quem havia escrito a matéria A equipe de José para parabenizá-lo. Ruiz me indicou e disse: "foi esse pirralho que agora terá que acompanhar todos os jogos do Racing para ver onde a equipe termina".

Assim foi. Foram 39 jogos sem perder. Campeão da Argentina, dos Libertadores, Intercontinental. Foi uma trajetória gloriosa. Eu me acostumei a ter algo sempre na primeira página.

Fiquei com a fama de ser um jornalista de visão. Depois, foi United Press International, Reuters, El Grafico, Cambio 16, Gazeta Mercantil, e em coberturas em várias partes do mundo sobre política, guerras, economia. Mas devo muito disso ao técnico Pizzuti quando montou A equipe de José. Juan José Pizzuti: Descanse em paz!
Crédito Imagem: Roberto Perfumo - WordPress.com
** Guillermo Piernes: Jornalista e escritor




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