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Rato de redação - Guillermo Piernes

17/03/2022 00:00




Rato de Redação

Por Guillermo Piernes**

­Que porra é esta?...

Essa foi a reação que tive em outubro de 1970 quando li por primeira vez Pasquim, dias depois de desembarcar no Rio de Janeiro como correspondente da agencia Reuters.

Meio século depois, Marcio Pinheiro faz um monumental resgate histórico do semanário O Pasquim com seu livro Rato de Redação Sig - A historia do Pasquim -.

O livro me emociona por ter lido, retransmitido artigos, relatado prisões e convivido socialmente com alguns dos seus craques como Luiz Carlos Maciel, da mão do saudoso escritor gaúcho José Antonio Severo.

Marcio, esse brilhante jornalista gaúcho - estou me gabando ao registrar que é meu amigo - recupera um exemplo de resistência a um regime militar, quando a liberdade era um conceito abstrato e o medo e a censura eram cotidianos companheiros dos jornalistas.

No Brasil, a amnésia deveria ser considerada inimiga publica numero da saúde do povo e Marcio cumpre a missão de trazer de volta sentimentos, idéias, humor, recursos, posições que sempre serão úteis para enfrentar ditaduras e outras lacras.

Marcio nos leva de volta aos anos 70 e transmite a sensação de estar lendo Pasquim na praia, perto das obras do Interceptor Oceânico ou Emissário Submarino, no limite das praias de Ipanema e Leblon, com freqüentes rajadas de brisa com aroma de substancias naturais de cigarros produzidos artesanalmente. Caretice zero.

Da para ouvir as risadas, assistir a beijos de descompromissados namoros e ouvir o som das melhores obras da MPB.

Comprei meu primeiro Pasquim numa banca da Avenida Rio Branco, perto da Praça Mauá onde funcionava o escritório da agencia que me tinha enviado como correspondente no Brasil, em tempos mais do que complicados para a imprensa. Era o meu primeiro destino como correspondente.

"Jornaleco de oposição a ditadura militar grega", era uma das auto-definições do tablóide fenômeno de vendas, uma explosão de alegria e inteligência, de coragem bem humorado. Um grupo de brilhantes jornalistas, escritores e artistas para enfrentar o medo, a repressão do regime militar brasileiro.

Tive a fortuna de ter contato com Henfil, Paulo Francis, Ziraldo, Jaguar, não por ter a estatura intelectual deles, porem nessa época para eles era conveniente ter um conhecido que podia fazer bastante barulho em caso de algum probleminha com os agentes da ordem ... Se eu fosse redator de Pasquim perguntaria qual seria essa ordem... alfabética?

Irreverente, informal, divertido. Pelo livro de Marcio revivemos ou descobrimos os muitos ângulos do semanário, que chegou a vender 250 mil exemplares com seu ratinho Sig como mascote por toda parte.

O lançamento do livro do Rio, na livraria Argumento em Ipanema, a partir das 18:30 horas do 31 de março. Pela data escolhida, o humor fino e de alto nivel continúa vivo!

Não vou comentar o livro de Marcio Pinheiro. Já o fizeram vários dos bons, entre eles Ricardo Chaves, Ivan Mattos e outros que li e não gravei. Nem vou falar do belo prefácio do grande escritor Eric Nepomuceno. Apenas convido a leitor destas caóticas linhas a desfrutar das 192 paginas do livro da editora Matrix.

Apenas sugiro leia Rato de Redação, ou prefere levar um diploma de bundão?.

** Guillermo Piernes: jornalista e escritor 
Imagem - Capa do livro Rato de Redação



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