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A revolução dos velhos - Guillermo Piernes

11/05/2022 00:00




­A revolução dos velhos 
Por Guillermo Piernes ** 
Uma cadeira quebrada, uma panela sem tampa, uma sombra no depósito das coisas descartadas.
Um velho não é mais do que isso para boa parte da sociedade capitalista ao sul do Equador, se que isso é possível para uma população majoritariamente descapitalizada.
Nos países desenvolvidos existem programas assistenciais mais como magnificamente definiu o Papa Francisco os velhos carecem de "planos existenciais".
Um velho - e aqui ignoramos solenemente a denominação Terceira Idade - é muito mais que um avô, um aposentado, um "já era". Sim, faltam planos existenciais que deverão partir dos próprios velhos.
Será preciso resgatar a rebeldia da adolescência, o ímpeto da juventude, para redefinir o papel dos velhos na sociedade, que já foram cultuados como fonte de sabedoria, fruto da experiência e foram deslocados pelo "novo"como se fosse automaticamente sinônimo de bom.
Um velho não serve para as cadeias de produção modernas, porém serve para indicar os rumos para essa produção, inclusive para determinar se é ou não um produto necessário para a sociedade. Um velho serve para trazer exemplos.
Os velhos são protagonistas de capítulos históricos que freqüentemente voltam a ser repetidos precisamente pela falta de experiência das novas gerações.
"Não é por acaso que a guerra tenha voltado à Europa no momento em que está a desaparecer a geração que a viveu no século passado", disse o Papa Francisco, em referência ao conflito russo-ucraniano.
"Para que ouvir ao Papa, se e um velho de mais de 80 anos?" , alguns perguntarão. Assim vamos.
Ao sul do Equador, a falta de dialogo inter-geracional, possibilita que se repitam situações políticas e sociais de repressão, injustiça, medo pela desídia de boa parte dos jovens, que não vem os sinais nem imaginam um terror que nunca viveram.
Os velhos precisam reagir. Abrir caminhos, preparar projetos existenciais que ajudem a derrubar a cultura do descarte. Projetos de pintar quadros, de escrever poesias, de executar a musica que mais amaram, falar o que sempre foi calado. Estudar as formas e lutar para diminuir o abismo entre gerações. Aplicar impiedosamente a verdade escondida no velho refrão: "O Diabo sabe mais por velho que por Diabo".  
Se estiverem longe das artes que os velhos assistam os grandes filmes que nunca viram, leiam os bons livros que nunca leram, dancem como jamais o fizeram, ou apoiem movimentos em defesa do meio ambiente, o melhor presente para as futuras gerações.
Projetos existências que mostrem que os velhos devem estar longe do quarto de despejo. Essa nova revolução cabe aos velhos, com a esperança que seja entendida pelos jovens.
Medo do ridículo? Ou medo de viver com plenitude os últimos anos, voltando a ocupar espaços, sonhar, errar, sentir?
Não existe muito tempo para especulações nem de acumulações para os velhos. No máximo guardar o suficiente para comprar um bom espumante. Para quando chegue perto a Dama de Preto brindar por uma vida bem vivida.

** Guillermo Piernes, jornalista e escritor
* Imagem - crédito Teddra



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